Instituto Pensar - ?Ministro da Saúde cometeu crime, eu não tenho dúvida?, diz Maia

?Ministro da Saúde cometeu crime, eu não tenho dúvida?, diz Maia

por: Nathalia Bignon


O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro ? (Foto: Carolina Antunes/PR)

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta segunda-feira (25), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) cometeu crime ao não responder carta de intenção da americana Pfizer para a venda de 70 milhões de doses da vacina da Covid-19 ao Brasil e que por esta razão defende a abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, frente à pandemia.

"Em relação ao ministro eu não tenho dúvida nenhuma que já tem crime. Pelo menos o ministro da Saúde já cometeu crime, eu não tenho dúvida nenhuma. A irresponsabilidade dele de tratamento precoce, a irresponsabilidade dele não ter respondido a Pfizer, a irresponsabilidade dele de não ter, como ministro da Saúde, se aliado ao Instituto Butantan para acelerar a produção daquela vacina e não apenas a vacina da Fiocruz. Tudo isso caracteriza crime e a PGR [Procuradoria-Geral da União] está investigando?, disse Maia, referindo-se ao processo aberto no sábado pelo órgão.

Vacina da Pfizer "causaria frustração em brasileiros?

Na noite do último sábado (23), por meio de nota, a pasta de Pazuello reconheceu ter recusado tentativas iniciais da Pfizer de avançar nas negociações sobre a oferta de vacinas e diz que um acordo com a empresa "causaria frustração em todos os brasileiros?. A Saúde ainda insinuou que a gigante farmacêutica buscava "marketing? na negociação e indicou pontos que, na visão do governo, pesaram contra o acordo.

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De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, em dezembro, o presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, disse que seria possível começar a vacinação quase imediatamente após um registro emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dependendo da celeridade do órgão, as doses poderiam ser aplicadas já em janeiro.

Erros em série da Saúde

Ainda sobre a conduta de Pazuello, Maia afirmou que os erros do governo ou "no mínimo, do ministro da Saúde, até o momento já devem afetar o crescimento da economia brasileira em 2021.

"Pela incompetência e irresponsabilidade, no mínimo, do ministro da Saúde, não vamos ter crescimento de 7%, 8%, mas de 3%. Se o ministro da Saúde não respondeu a Pfizer, é crime. Não sei o termo técnico porque não sou advogado, mas para mim é crime?, declarou diante da imprensa.

Após dificuldades com insumos e importação dos imunizantes, o Brasil ainda teve se enfrentar uma crise diplomática com a China, responsável pelos insumos que permitiriam ao Instituto Butantan a produção da Coronavac, após sucessivos ataques dos filhos e ministros de Jair Bolsonaro. Enquanto isso, crescem no país os pedidos de demissão do chanceler Ernesto Araújo e de Eduardo Pazuello.

Vacinas no Brasil

Segundo o ministério da Saúde, o Brasil adquiriu 46 milhões de doses da vacina do Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac, com opção de compra de mais 54 milhões. O país recebeu também, da Índia, 2 milhões de doses da Astrazeneca, com opção de importação de mais doses, além de previsão de produção, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de 100,4 milhões de doses no primeiro semestre e 110 milhões de doses no segundo semestre.

Há ainda, segundo o ministério, a possibilidade de aquisição de 42,5 milhões de doses pelo mecanismo Covax Facility, articulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Levantamento junto a secretarias de Saúde aponta que 580 mil pessoas já tomaram dose de vacina. G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL passaram a divulgar dados de imunização no país.



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